Promotor inicia debate e diz que Gil Rugai tem dupla personalidade

O promotor Rogério Leão Zagallo afirmou no julgamento de Gil Rugai nesta sexta-feira (22) que o réu “tem dupla personalidade”. “Tangencia entre a normalidade e psicopatia”, disse o representante do Ministério Público (MP), que falou por uma hora e meia nessa etapa do processo, chamada de fase de debates.

A defesa do ex-estudante de teologia, de 29 anos, terá o mesmo tempo da acusação para tentar convencer os sete jurados da inocência do acusado de matar o pai, Luis Carlos Rugais, 40, e a madrasta, Alessandra Troitino, 33, em 28 de março de 2004, em São Paulo.
Gil permaneceu no plenário, balançando negativamente a cabeça e sorrindo quando não concordava com as acusações feitas pela Promotoria.
A Promotoria afirmou em sua explanação que Gil Rugai mentiu no júri ao dizer que não sabia que o pai havia trocado as chaves da produtora Referência Filmes. “A Polícia Civil, Gil havia dito no passado que soube dessa troca. Outras testemunhas, funcionários da empresa confirmaram isso”, disse Zagallo.
A tese do promotor é que a troca ocorreu porque o pai de Gil descobriu que o filho fraudou a empresa e não queria ele mais trabalhando nela e morando na mesma casa. Para o MP, Gil matou o casal porque teve medo de seu pai levar adiante a ameaça de denunciá-lo à polícia pelo desvio de dinheiro.



O promotor também apontou o que chamou de outras contradições no interrogatório de Gil. Uma delas é sobre o local onde ocorreu uma discussão entre pai e filho dias antes do assassinato. Gil disse que não esteve na produtora do pai, a Referência Filmes, naquele dia. Já em interrogatório prestado anteriormente, afirmou que após jantar com Luis em um restaurante, concluiu a conversa na sede da Referência Filmes.
Zagallo também apresentou o depoimento de um policial que teve contato com Gil no dia seguinte ao crime e que relatou que Gil lhe fez perguntas sobre balística, sobre se munição da pistola 380 usada seria capaz de matar uma pessoa. “Se o seu pai tivesse sido assassinado vocês estariam preocupados em saber de assuntos de balística?” perguntou.
O promotor também questionou os álibis de Gil. O réu afirma que não estaria na cena do crime. “Se assim fosse, a amiga que o viu no shopping Frei Caneca e a outra pessoa que falou que consertaria o telefone celular dele teriam sido arroladas como testemunhas, mas não foram”.
Num dado momento da sua fala, Zagallo apresentou um vídeo aos jurados. “São seis segundos da ida de Gil com sua mãe [Maristela Grego], à casa do pai, onde ele foi morto. Vejam que Gil veste um sobretudo, o mesmo que foi identificado pelo vigia, momentos após o crime”.
Além de familiares de Gil, sua mãe e o irmão, Leo, também estavam presentes na platéia do Fórum da Barra Funda pessoas que participaram da investigação do caso, como o delegado Rodolfo Chiarelli, que foi ouvido como testemunha nesta semana.
Falando rápido e alto, Zagallo chegou a se aproximar de Gil num dado momento, mas Marcelo Feller, advogado de defesa, se posicionou à frente do acusado.
Para demonstrar o que classificou como comportamento violento, Zagallo apresentou depoimento da namorada de um garçom que diz ter sido agredida na cabeça por Gil. “O motivo? Ela namorava o paquera de Gil e levou garrafadas na cabeça”.

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