'Papável' brasileiro sobreviveu a tiro de escopeta durante assalto


O arcebispo emérito de Brasília, Dom João Braz de Aviz, um dos cinco cardeais brasileiros com chances de ser eleito o novo Papa, sobreviveu a um tiro de escopeta durante um assalto, há 30 anos. Ele ficou com “pelo menos 130 furinhos de chumbo”, conta o irmão do cardeal, o padre José Amauri de Aviz, pároco de uma igreja no Lago Sul, em Brasília.

Dom João Braz de Aviz nasceu em Mafra, interior de Santa Catarina, torce pelo Palmeiras e gosta de música caipira e de macarrão, diz José Amauri. Atualmente, o cardeal ocupa o cargo de prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano.

O tiro de escopeta ele levou em outubro de 1983, quando estava a caminho de uma igreja no norte do estado do Paraná. O então padre foi obrigado a parar em uma ponte por determinação de um grupo de assaltantes que se preparava para roubar um carro-forte, segundo Amauri.

O irmão conta que Dom João Braz não se identificou como padre e permaneceu como refém até a chegada do carro forte. Quando o veículo apareceu, os bandidos tentaram pará-lo com tiros de revólver calibre 38. Os assaltantes acertaram os pneus do veículo, que acabou parando. Eles obrigaram o padre a pedir o dinheiro aos ocupantes do carro-forte.

“Dentro do carro estavam um motorista e um guardinha, com uma escopeta, uma 12, cano curto. Os bandidos, quando viram que não dava [para arrombar o carro forte], eles [disseram ao padre]: ‘Nós queremos só o dinheiro. Vai lá falar pra eles que nós queremos o dinheiro’”, afirma Amauri.

João Aviz foi alvejado por um dos guardas do carro-forte quando atendia ao pedido dos assaltantes. Segundo Amauri, o guarda atirou a uma distância de 30 metros. O tiro de escopeta espalhou chumbo em várias direções, atingindo diversas partes do corpo do hoje cardeal, entre os olhos e o tornozelo, conta o irmão. Os assaltantes fugiram.


Amauri disse que, depois de o irmão ser operado, resolveu contar as marcas de chumbo. “Eu contei até 130, mas ainda podia contar mais alguma. Ele levou muito chumbo, nenhum atingiu um órgão vital.”

O padre disse que um dos fragmentos de chumbo atingiu um olho, mas não deixou sequelas. “Passou por dentro do olho direito. Coisa assim de milímetros para a medula, na boca. O pulmão e os intestinos, todos com cheiro de chumbo. Isso foi um milagre. Milagre, nesse sentido, porque, veja, [os assaltantes] não tiraram dele a caneta de metal que ele tinha. Dois chumbos ficaram na caneta”, diz Amauri.

Ele afirma que o irmão permaneceu no chão por duas horas e meia à espera de socorro. Nesse tempo, Amauri diz que Dom João rezou o Pai-Nosso e pediu para que Deus o mantivesse vivo por mais dez anos. “Que [Deus] desse dez anos pra ele, que depois ele estava entregue. Depois de dez anos, fizeram ele bispo! Aí começou essa outra trajetória.”

Dom João Braz se tornou bispo ao 49 anos, em 1996, 13 anos depois de ter sido baleado. “Uma vez eu falei para ele: ‘Você vê, irmão, o João Paulo II foi preciso ficar Papa para atirarem nele. Você antes já levou o tiro’”, brinca o padre Amauri.

Expectativa da família
Segundo o padre José Amauri de Aviz, nada mudou na rotina da família e do próprio arcebispo depois da renúncia de Bento XVI e da possibilidade de Dom João Braz de Aviz se tornar o primeiro Papa brasileiro da história.

“Ele não mudou em nada sua postura. Na nossa família estamos na expectativa. Os que rezam estão rezando. Os que estão unidos entre nós estão na expectativa.”

Amauri afirma que a Igreja Católica está caminhando para uma reforma e que a eventual eleição do irmão como Papa reforça a ideia de unidade buscada pela instituição. “O João não é sozinho se for [eleito Papa]. Primeiro estão os brasileiros, leigos, padres, bispos, as comunidades, em função do lema ‘que todos sejam um’.”





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