Identificação dos mascarados das 'Cavalhadas' gera polêmica em Goiás

Uma polêmica está tomando conta da população de Pirenópolis, a 121 quilômetros de Goiânia. A questão é numerar ou não os mascarados que participam da Festa do Divino Espírito Santo na cidade. Desde 2011, as polícias Civil e Militar pedem a identificação dos curucucus, como são conhecidos, durante a festa das Cavalhadas. O objetivo é que a numeração permita identificar aqueles que possam ter praticado algum ato ilegal durante o evento, que acontece nos meses de maio de cada ano.

No fim de ano passado, a Associação para Preservação dos Mascarados de Pirenópolis (Ama) propôs um projeto de lei no Poder Executivo exigindo o anonimato de quem participa da festa fantasiado. Segundo a associação, a numeração interfere na tradição, já que os mascarados são famosos pelo anonimato. “Nós resolvemos criar essa associação para não deixar descaracterizar o mascarado”, diz o presidente Ama Eudes Pina Forzani.

Segundo a Lei 720/2012, serão aplicadas normas do Código Penal Brasileiro ao mascarado que exceder sua participação nos festejos. Mas para a delegada de Pirenópolis, Geina Maria Etherna, a lei também deveria aplicar pena administrativa ou normas do Código Civil Brasileiro, dependendo do caso. Em outro artigo, a lei defende a livre circulação dos mascarados pela cidade, o que preocupa a população.

“O que a Polícia Civil vem buscando é uma organização porque nós somos responsáveis pela ordem pública”, diz a delegada Geina Maria Etherna.

De acordo com a polícia, crimes cometidos por mascarados durante a festa são comuns: “São crimes de oportunação ofensiva ao pudor, danos, vandalismo e, às vezes, furto”, afirma a delegada. 

A dona de casa Natalina Marques confirma a ocorrência dos incidentes. Segundo ela, o marido dela já foi vítima de violência por parte de um mascarado. “Meu marido quebrou a clavícula e um mascarado pisou em cima, mas nós não conseguimos saber pois não tinha numeração”, relata.

“Eu acho que só precisa conversar melhor com a comunidade e talvez fazê-la entender que é uma necessidade até para a continuidade da festa”, alega a arquiteta Raquel Bitar.

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