Mãe de sertanejo morto reclama da demora de júri dos policias indiciados

A família do cantor José Bonifácio Sobrinho Júnior, conhecido como Boni Júnior, reclama da demora para julgar os quatro policiais militares indiciados pela morte do artista. “Para tirar a vida de uma pessoa, demora um minuto e depois, para punir, leva muito tempo”, declara a mãe do sertanejo, Terezinha Luiz Vinhal, de 54 anos.

O crime aconteceu em 28 de outubro de 2012, na GO -515, entre Panamá e Goiatuba, na região sul de Goiás. O cantor foi morto com um tiro na cabeça. Na época, os policiais envolvidos no caso alegaram que houve um confronto. Versão contestada no inquérito policial, que foi concluído em 20 de fevereiro deste ano.

Os delegados indiciaram um cabo e um soldado do Grupo de Patrulhamento Tático da Polícia Militar de Goiatuba por homicídio e fraude processual. Já um soldado e um sargento da cidade de Panamá foram acusados de fraude processual, aponta o documento.

Enquanto o caso não vai a júri, os policiais envolvidos continuam integrando a Polícia Militar de Goiás. Os dois militares de Goiatuba estão dispensados pela junta médica da PM e à disposição para trabalhar na área administrativa.

Os policiais que atuavam em Panamá não estão mais na cidade. Um deles se aposentou. O outro foi transferido para Goiânia, onde está temporariamente afastado por laudo psicológico. Os quatro militares aguardam julgamento da Corregedoria da PM.

O juiz responsável pelo caso, Marcos Vinícius Alves de Oliveira, não foi encontrado para falar se há previsão para o julgamento. O Ministério Público de Goiás informou que a fase de depoimentos do processo ainda não concluída. Por isso, segundo a promotoria, deve demorar para o caso ser analisado no Fórum de Goiatuba.

Versão dos policiais
Na época do acidente, os PMs contaram que o cantor estaria fazendo manobras perigosas na cidade de Panamá. Os militares alegaram que, quando o sertanejo percebeu a presença da polícia, tentou fugir para Goiatuba.

De acordo com os policiais, uma barreira foi montada na pista para deter o músico, mas ele não teria parado e bateu no carro da polícia. Os PMs contaram também que Boni Júnior atirou contra os carros da polícia e, por isso, os militares teriam disparado contra o carro que ele conduzia.

Confronto forjado
Os delegados que investigaram o caso, Ricardo Chueire e Gustavo Carlos Ferreira, afirmaram que tanto o laudo da Polícia Técnico Científica quanto a reconstituição do crime apontam que o suposto confronto entre o cantor e os policiais foi forjado. “A perícia prova que os próprios militares plantaram a arma na cena do crime, como sendo ela pertencente ao cantor, e ainda atiraram com a mesma arma contra as viaturas para forjar o confronto e justificar a morte de um homem desarmado”, ressalta Ricardo Chueire.

O delegado Ricardo Chueire comenta ainda que seria fisicamente impossível Boni ter atirado. “A reconstituição mostrou que um indivíduo sentado e dirigindo em alta velocidade não teria posicionamento para acertar os dois carros ocupados pelos policiais e mostra que quem atirou contra as viaturas estava em pé e próximo a elas”, descreve.

De acordo com o inquérito, os policiais de Panamá chegaram depois da morte de Boni na cena do crime. Eles ajudaram os colegas de Goiatuba a forjar o falso confronto para justificar o assassinato da vítima, aponta a investigação policial. “A equipe da cidade vizinha estava em perseguição à vítima desde Panamá, onde uma confusão teria começado após ele fazer manobras perigosas”, afirmou Ricardo Chueire.

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