Protestos mostram apropriação de slogans publicitários para fins políticos


Mensagens de campanhas se espalharam pelas redes sociais e estamparam cartazes em apoio às manifestações em todo o país.
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A campanha "#vemprarua", transformada em hashtag em sites de rede social como Twitter, Facebook e Instagram foi criada pela Fiat para a Copa das Confederações.

Mas a frase também saiu da internet para estampar cartazes exibidos em cidades de todo o país, ao lado de outro slogan publicitário, "o gigante acordou", que aparece em um video publicitário da marca de uísque escocesa Johnnie Walker lançado em outubro de 2011.
O vídeo, que na última semana passou a receber comentários de manifestantes exaltando os protestos em sua página do YouTube, mostra o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro, levantando-se como um gigante, em alusão à ideia de que o Brasil é "um gigante adormecido".
Segundo um levantamento da empresa de relações públicas Grupo Máquina, entre os 19 e 21 de junho a expressão #vemprarua teve mais de 160 mil menções nas redes sociais e #ogiganteacordou, cerca de 100 mil.
"Um dos trabalhos da publicidade é sintetizar emoções e sentimentos que estão de alguma forma latentes em frases de efeito", disse o publicitário e pesquisador de mercado Adilson Batista, fundador da agência Today, à BBC Brasil.
"O filme da Johnnie Walker é bastante emocional e sintetiza um sentimento de orgulho nacional que já estava presente entre as pessoas. E a campanha do 'Vem pra rua' foi criada para a Copa das Confederações como muitas outras, mas provocou uma reação diferente nas pessoas porque trouxe a ideia da mobilização, principalmente pelo uso da frase como hashtag."
Postura crítica
A adoção dos slogans, no entanto, não significa que os manifestantes adotaram também o conteúdo das propagandas.
"A publicidade tem uma tendência a pintar as coisas de verde e amarelo para pegar carona no sentimento nacionalista e vender produtos em cima disso, mas as pessoas ‘ressignificaram’ tudo isso a partir de um sentimento de insatisfação, de que tem algo muito errado com o sistema vigente", disse o especialista em redes sociais Augusto de Franco, criador da Escola de Redes.
Para Batista, o fenômeno mostra uma postura crítica dos brasileiros com relação aos conteúdos publicitários. "Acho que subestima a inteligência do brasileiro quem acha que ele não faz reflexão sobre as mensagens publicitárias. Tenho a sensação de que a gente têm vivido muitas micro manifestações dentro das redes sociais e elas usam o conteúdo de mensagens publicitárias o tempo inteiro", afirma.
"Há grupos que sempre se apropriam de frases publicitárias, muitas vezes criadas pelas próprias marcas, para reverberar suas mensagens de manifestação. As pessoas transformam (as campanhas) em vídeos satíricos de crítica social e em hashtags adaptadas. Isso acontece com mais força há cerca de quatro anos."

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