Sono ao volante? Saiba como evitar


Seja ao sair tarde do trabalho, ou ao pegar a estrada em uma viagem cansativa, ou mesmo quando você precisa dirigir após algumas noites mal dormidas...
O sono pode atacar quando você estiver ao volante. Já estão disponíveis no mercado tecnologias para impedir que o motorista cochile, como o detector de fadiga, que identifica sinais de cansaço e emite um alerta sonoro e visual pedindo para parar o carro e descansar. Se a recomendação não for atendida, ele dispara um alarme. Indo além, em automóveis importados, há detectores de sonolência que analisam até o movimento dos olhos.

Embora esses aparatos – ainda restritos – têm se mostrado eficientes, a máxima de que o motorista é o principal responsável por sua segurança se mantém indiscutível, como salienta o diretor técnico do Centro de Estudo Multidisciplinar em Sonolência e Acidentes (Cemsa), Marco Túlio de Mello.

Em entrevista à Autoesporte, o especialista dá uma série de dicas para evitar o sono ao volante e revela alguns dados de como essa situação é mais comum do que se imagina. Será que você já bocejou ou mesmo “pescou” quando estava dirigindo? Trate de acordar porque o assunto é sério e confira de olhos bem abertos os conselhos a seguir.

Para começar, Mello explica que dirigir com sono é perigoso porque diminui a capacidade de concentração e de reflexo. Ele revela: "De 17% a 19% das mortes no trânsito brasileiro, uma média de 7 mil por ano, ocorrem com pessoas que dormem no volante. Na somatória dos acidentes de trânsito, de 29% a 32% dos condutores caíram no sono enquanto dirigiam".

Se a pessoa trabalhou por 9 horas, ela já está suscetível a acidentes no trânsito por sono
Há vários fatores que induzem a sonolência. "O principal é o cansaço depois de muitas horas acordado ou de muito tempo trabalhando. Além disso, há uma relação com a monotonia que ocorre ao guiar o veículo. Em percursos longos, exige-se muito do motorista. Uma vez cansado, ele fica sonolento, tem menos atenção e pode comprometer a sua segurança e a dos demais passageiros".

Ele aconselha: "Nunca dirija depois de 19 horas acordado ou por mais de 9 horas seguidas, porque, assim como um bêbado, você não estará em condições. O ideal é descansar a cada 2 horas". E ainda alerta: “Se a pessoa trabalhou por 9 horas, ela já está suscetível a acidentes no trânsito. Por mais de 12, esse risco duplica e por mais de 14, ele triplica”.
Outra recomendação do especialista, que também dirige o Centro de Estudos em Psicobiologia e Exercício (Cepe) e participa de pesquisas do Instituto do Sono, é não pegar o carro entre 3h30 e 5h30 ou logo depois de almoçar. “Esses são os momentos mais propensos a cair no sono”.

As estradas, onde as pessoas passam mais horas guiando, o número de acidentes é maior. “Isso se explica por causa da monotonia. Para evitá-la, a sugestão é revezar a direção com outra pessoa que esteja descansada”.

O mais grave, segundo ele, é que ninguém tem condições de avaliar seu próprio sono. "Não existe um estágio de sonolência que não ofereça perigo. Se sua vista começa a embaçar, está na hora de encostar o veículo, lavar o rosto, tomar um café e descansar. A maioria dos condutores que dormiram e se envolveram em acidentes sequer se lembram de ter fechado os olhos".

Para ficar acordado, motoristas colocam a saúde em xeque. "Alguns tomam medicamentos, mas, em vez de se manterem em alerta, se prejudicam. O efeito do remédio dura por pouco tempo. Quando ele acaba, o sono é incontrolável". E se não bastasse, o diretor ainda revela: "Há casos de pessoas que queimam cigarro no próprio corpo e até se batem para vencer a sonolência".

Evite pegar o carro entre 3h30 e 5h30 ou logo depois de almoçar. São os momentos mais propensos a cair no sono
No geral, o que mais atinge população são os distúrbios do sono. "É muito comum pacientes que não dormem bem e acordam cansados e com sonolência por causa de distúrbios, como ronco, apnéia [suspensão momentânea da respiração], insônia, bruxismo [ranger ou apertar dos dentes], chutar as pernas, entre outros. Nesses casos, o tratamento é primordial para eliminar o problema e minimizar os riscos de acidentes, inclusive no trânsito".

E para encerrar, Mello assegura: “A transição entre uma leve sonolência e dormir no volante é repentina e as consequências podem ser gravíssimas. Abrir o vidro, aumentar o volume do rádio ou outros truques do tipo não adiantam. O que vale são as precauções do motorista para não colocar a sua vida em risco”.

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