Menino que sofreu tortura recebe visita de 'super-heróis' em hospital


Há 11 dias internado na Santa Casa de Campo Grande, o menino de 4 anos torturado em rituais de magia negra teve uma surpresa na última quinta-feira (3). Ele virou homem-aranha depois de ganhar uma fantasia do personagem e um copo personalizado durante a visita de 'super-heróis'.
A Liga do Bem, como é chamado o grupo de pessoas que se fantasiam de personagens do mundo infantil, fez o pequeno sorrir com os olhos, como mostram fotos divulgadas pelo hospital.
Mais que os presentes, a visita surpresa levou momentos de alegria e descontração ao garoto, segundo os profissionais que o acompanham. Ele foi liberado pelos médicos para sair da enfermaria isolada em que estava e ir ao encontro de nove 'super-heróis' da Liga do Bem.
Vestido de homem-aranha, o pequeno herói brincou, posou para fotos, trocou fantasias e demonstrou estar a vontade junto de outras crianças internadas. A visita do grupo faz parte da rotina do hospital, segundo a assessoria.
Ele gostou tanto do presente que chegou a pedir para tomar remédio só no copo que ganhou dos super-heróis, segundo os enfermeiros. Ele está internado desde o dia 23 de fevereiro, quando chegou ao hospital com sinais de tortura e múltiplos ferimentos, e teve evolução significativa no quadro clínico e no comportamento, segundo a pediatra Patrícia Oto e a psicóloga Alexandra do Nascimento, da equipe que acompanha o garoto. No começo da semana, o hospital divulgou previsão de alta é até o próximo domingo (6), mas, a pode ser adiantada ou atrasada, segundo a pediatra.


Caso tortura

Quatro pessoas estão presas por envolvimento nas agressões e tortura. O menino foi internado na Santa Casa no último dia 23 de fevereiro, com queimaduras no rosto, fratura em um dos braços, ferimentos nos olhos e saco escrotal. Ele chegou ao hospital acompanhado da tia-avó, que justificou os ferimentos dizendo que a criança havia caído, segundo os médicos.
O caso foi denunciado pelo hospital e chocou profissionais das polícias militar e civil, Conselho Tutelar e médicos. Os tios-avós foram presos em flagrante no mesmo dia e confessaram a tortura em rituais de magia negra.
Eles tinham a guarda-provisória da criança e afirmaram que as agressões ocorriam também fora dos rituais de magia negra. Os nomes dos tios-avós não serão divulgados nesta reportagem para garantir os direitos de proteção da criança.
Um sobrinho do casal foi preso em Aquidauana e a quarta prisão foi da avó adotiva, mãe da suspeita. A idosa é a única a negar as agressões, enquanto os outros três confessam o crime, alegando que agiam sob influência de uma entidade espiritual.Investigação
O menino morava com os tios-avós e duas filhas do casal desde maio de 2015 em uma residência no Centro de Campo Grande. Os vizinhos não desconfiavam das agressões, que só foram descobertas durante visita surpresa da equipe da unidade de acolhimento onde o garoto vivia antes.
Além dos quatro presos, a polícia também ouviu as duas filhas biológicas do casal suspeito e a vítima. As filhas do casal afirmaram que o menino era "super apegado" com a suspeita, mãe delas.
O menino "estava muito traumatizado, assustado e sob efeito de medicamento" quando foi ouvido por psicólogos no hospital, por isso, não foi considerado depoimento, segundo o delegado Paulo Sérgio Lauretto.
Família
O homem preso é irmão da avó paterna biológica do menino. Ele e a esposa teriam sido os familiares mais próximos interessados na guarda da criança, depois que a avó paterna devolveu a criança à Justiça alegando que não tinha condições de cuidá-la.
Segundo a polícia, os pais biológicos do menino são usuários de droga e o abandonaram. Em depoimento, a tia-avó contou que quis adotar a criança com intenção de utilizá-la em rituais de sacrifício.
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