Edinho diz que questionará na Justiça ex-presidente da Andrade Gutierrez


O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, divulgou nota à imprensa neste sábado (9) para informar que vai interpelar judicialmente o empresário Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez.
Segundo delação premiada de executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez, sete empresas doaram, ao todo, R$ 700 milhões à campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014.
Otávio Azevedo contou que ouviu de Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, que as sete empresas mais beneficiadas em contratos com o governo tinham um compromisso: cada uma, entre elas a Andrade Gutierrez, deveria doar R$ 100 milhões.
Em nota, Edinho Silva argumentou que se considera "injustamente acusado de articular um conluio envolvendo obras e contratos do governo federal".
Segundo o ministro, Otávio Azevedo definiu os valores doados pela empresa. Disse, ainda, que não houve menção a propina e que as doações foram declaradas à Justiça Eleitoral.
Edinho Silva disse que há "uma tentativa escandalosa de criminalizar doações legais que seguiram as regras e normas da legislação brasileira".
Confira a íntegra da nota:
Nota à imprensa

Tenho sido injustamente acusado de articular um conluio envolvendo obras e contratos do governo federal. Segundo os vazamentos seletivos de uma suposta delação premiada do empresário Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, propinas teriam financiado a campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff em 2014. Esta alegação é uma mentira escandalosa e me causa extrema indignação e perplexidade. Por isso, interpelarei legalmente, para posteriores ações judiciais, o empresário responsável por essa inverdade, para que ele responda às perguntas que, infelizmente, a imprensa brasileira não faz.
Como é de conhecimento público, fui coordenador financeiro da campanha Dilma-Temer 2014. Assumi a tarefa em julho daquele ano, enquanto a operação Lava Jato já estava em pleno andamento. Minha missão foi “blindar” a campanha de qualquer fato que estivesse vinculado às denúncias. Assim o fiz. Por isso, garanto que nenhuma investigação vai encontrar algo que desabone a minha conduta e, por consequência, atinja a campanha da chapa Dilma-Temer.
Além disso, reforço que jamais ocupei cargo no governo federal e nunca trabalhei junto às esferas da União. Assumi como ministro somente em 2015. Como eu poderia, portanto, ter atuado em 2014 como articulador de um conluio envolvendo obras e contratos do governo federal? Isso não existe. Esta é uma acusação totalmente descabida e grosseira. Esse conluio nunca aconteceu. É uma invenção vazada seletivamente a partir de uma suposta delação premiada,  que tem o único objetivo de atingir a presidenta Dilma e interferir no processo de impeachment em andamento.
As perguntas que farei na interpelação judicial são:
A que planilha se refere o delator, sendo que não a conheço e nunca a vi? Com quais empresas eu teria feito a suposta combinação de doações em articulação com a Andrade Gutierrez? Com quais empresários eu teria combinado a doação no valor de R$ 100 milhões cada? Quando e onde?
Sei que não haverá resposta a essas perguntas pelo simples fato de que nada disso existiu.
Ainda acredito no Poder Judiciário brasileiro. Acredito que a Legislação brasileira não é manipulável e que o ônus da prova ainda cabe a quem acusa, ou a quem divulga acusação mentirosa.
Sinto-me profundamente atingido pelas mentiras que têm sido divulgadas por essa suposta delação premiada. É lamentável que estejamos vivendo em um país onde a verdade tem tão pouco valor, em que a honra das pessoas sejam atingidas como se nada valessem. É lamentável que processos de investigação sejam utilizados para a luta político-partidária, e que as delações premiadas, que deveriam ser um valioso instrumento de investigação, tenham se tornado espaços de mentiras e manipulações. No caso da Andrade Gutierrez, segundo o divulgado pela imprensa, chega às raias da hipocrisia.
Reafirmo que estive reunido com o empresário Otávio Azevedo, inclusive em Brasília, como relata a suposta delação, a seu pedido. O empresário se locomoveu por livre e espontânea vontade até o comitê de campanha, na capital, e definiu os valores doados pela empresa, bem como datas para depósitos bancários. Otávio Azevedo jamais mencionou contratos e obras do governo federal, tão pouco fez menção às doações como resultado de vantagens de propinas. As doações foram declaradas à Justiça Eleitoral e os valores mostram que a campanha Dilma-Temer recebeu, inclusive, um valor inferior ao doado ao candidato adversário no segundo turno. Essa é a verdade. O restante é uma tentativa escandalosa de criminalizar doações legais que seguiram as regras e normas da legislação brasileira.
Lembro, ainda, que as contas da campanha Dilma-Temer passaram pela maior auditoria da história do Tribunal Superior Eleitoral. Nada de irregular, absolutamente nada, foi encontrado.
As contas foram aprovadas por unanimidade dos votos dos ministros daquela corte.
Edinho Silva, Ministro Chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
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