UFG desenvolve testes rápidos para descobrir se uísque é falso



Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) desenvolveram métodos que identificam, de forma rápida, se um uísque é falso ou não. O estudo, desenvolvido pelo Instituto de Química, tem ajudado a Polícia Federal a solucionar crimes de falsificação do produto no país. De acordo com o coordenador do trabalho, o professor Wendell Coltro, todos os métodos são de baixo custo e um deles descobre em até dois minutos se a bebida foi adulterada.
Segundo ele, uísques falsificados tem um nível maior de caramelo, que dá a cor característica à bebida, além de água, etanol e, muitas vezes, analgésicos, que podem diminuir os efeitos da ressaca. Coltro, que já esteve entre os dez brasileiros mais inovadores, segundo o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), afirma que os testes desenvolvidos pelos goianos identificam de forma rápida a presença destas substâncias.
“É um trabalho que utiliza matérias-primas infinitamente mais baratas do que testes convencionais e, sem dúvida, que chegam a conclusões muito mais rápida. Um deles, desenvolvido identifica em pouco mais de um minuto e utilizando um chip do tamanho de uma moeda, se um uísque é falso ou não. Outro sabe pela cor, em menos de uma hora se a bebida foi adulterada”, disse o professor.
Os trabalhos são desenvolvidos pelo Laboratório de Microfluídica e Eletroforese (LME) em parceria com o Instituto Nacional de Criminalística da PF. São quatro os testes feitos pelo órgão. Um deles descobre, a partir da cor, a procedência de centenas de amostras de uísque em menos de uma hora.
Análise
Pesquisador responsável pelo método, o doutorando em Química Thiago Miguel Garcia Cardoso, explica que o laboratório tem quase 100 amostras de uísques legítimos. O processo de identificação é feito a partir da comparação das amostras com as apreendidas pela PF.
Cardoso diz que a alta concentração de caramelo presente em uísques falsos faz com que, quando colocada com outros reagentes, a amostra resulte uma cor mais avermelhada. Além disso, ele afirma que as adulterações utilizam água de torneira, com presença de cloro e flúor, também notadas a partir do teste.
“Estas substâncias presentes na água já são identificadas logo de cara e isso já é um indício forte de falsificação, já que uísques originais, quando possuem, são níveis muito baixos. Depois a gente confirma através da identificação da cor. Isto é possível a partir do monitoramento da presença de açúcares e água. A glicose é percebida no conteúdo analisado através da mudança na coloração, de incolor para rosa ou magenta, quando acrescida de reagentes”, disse.
Apesar do teste ser rápido, Thiago afirma que nem sempre a diferença de cor entre a amostra falsa e amostra original é perceptível a olho nu. Segundo ele, os pesquisadores chamam de “adulterações sofisticadas”, aquelas que utilizam tipos de uísques mais caros em rótulos de marcas inferiores.
“Eles pegam uma garrafa de uísque 18 anos e multiplicam, através da adulteração, em 10 garrafas de uísques 12 anos, todas elas utilizando embalagens originais. Quando a gente passa pelo teste, não se vê diferença, a princípio, de cor do conteúdo, daí temos que passar por um scanner e fazer a análise gráfica da cor para poder identificar se há ou não diferença”, contou.
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